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"Costumo começar a trabalhar logo após o café da manhã. Sento-me imediatamente diante da máquina de escrever. Se vejo que não consigo escrever, desisto. Mas de um modo geral não há nenhuma etapa preparatória... Claro que existe (treinamento), mas quem o procura? Entretanto querendo ou não, todo artista se educa e se condiciona de um modo ou de outro. Cada pessoa tem seu próprio caminho. Afinal de contas, a maior parte dos escritos é feita longe da máquina de escrever, longe da escrivaninha. Eu diria que acontece nos momentos calmos e silenciosos, quando estamos caminhando, fazendo a barba ou jogando uma partida ou seja o que for, ou até mesmo conversando com alguém por quem não temos um interesse vital. A gente está trabalhando, a mente está trabalhando o problema, que está em nosso íntimo. Assim, quando vamos para a máquina de escrever, é apenas uma questão de transferência".
Fonte: Os Escritores 2: As históricas entrevistas da Paris Review. São Paulo: Cia. das Letras. 1989.
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