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"Sou um escritor compulsivo, deixo as idéias virem cegamente e no começo trabalho com intuição, depois entra a razão. Então reescrevo várias vezes e levo tempo trabalhando no livro... Só termino quando sei que ou acabo com o livro ou ele acaba comigo. Conversas na catedral e Guerra do fim do mundo tomaram três anos. Quando me perguntam de que livro gosto mais, tendo a achar que foram esses, pelo trabalho – mas não atraiçôo nenhum. Outros levaram um ano, um ano e meio. Nenhum tempo é demais, porque escrever mais do que uma atividade, é uma maneira de viver... Não é uma atividade normal: escrever é reorganizar internamente a vida a serviço da imaginação. Escritor não escreve para viver. Vive para escrever. É a entrega total a essa coisa efêmera, a palavra... Só (uso computador) na segunda etapa. A primeira é um ritual artesanal, com papel, cadernos, tinta. No começo, tudo é difícil e lento, torturante. Só quando a história flui posso relaxar, porque sei por onde vou. Espantei-me quando Cortázar disse que escreveu Jogo da amarelinha dia a dia sem saber no que ia dar. Meu processo é desordenado no princípio, mas depois é de um rigor absoluto. Emoções, fantasias, sentimentos não valem nada a um escritor sem ritmo, adestramento, domínio sobre a técnica, organização do tempo."
Fonte: O Estado de S.Paulo, 15 de novembro de 1997- Norma Couri.
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