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Crítica Literária
Dyonélio Machado

"Para início: não há crítica, achando-se ele sempre ditada pelo subjetivismo. Sei por mim mesmo: não preciso que me digam quão condenável é essa espécie de exibicionismo que goza em desfiar elogios feitos à própria pessoa. É sim. Mas leve-se em conta que ainda agora ouço dizerem-me: não consegui continuar a leitura do seu livro (O louco do cati). Não tenho a sugestibilidade muito fácil. Mas com tudo isso eu mesmo o abominei. Resisti a todos os pedidos de reedição. Se consenti agora, foi por amizade. Depois da brutalidade com que fui tratado pela crítica, ver alguma simpatia em torno dele me deixou perplexo. E ainda estou - a alimentar um ceticismo difícil de dominar.  Mas vamos com os poetas: a coorte se mobilizava por sua conta, sem, está visto, a menor intenção de contrariar a crítica negativa (que talvez jamais conhecera), o manípulo contava com mais dois elementos que, esses, eu bem conhecia: minha filha e um jovem. Ele vinha duma linhagem literária que tanto ilustrava a literatura. Por sua vez, moço ainda, já se distinguia na atividade jornalística: Paulo de Medeiros e Albuquerque. Infelizmente, não se achou mais seu comentário, o primeiro em data favorávle ao meu trabalho. As mulheres e os rapazes - é o que diz um escritor com grande experiência - são o público que mais honra o artista. eu aplico um escólio à sentença de Eça de Queiroz: e os poetas. Tudo isso é ingênuo, quer dizer, sem maldade. Ou maldade friável, pronta a desfazer-se ao primeiro contato da arte. Cecília (minha filha) é poeta, embora o negue de pés juntos. É dela uma antiga carta sobre O louco de cati. 'De todos os teus livros - escreve a certa altura - , aquele pelo qual tenho mais carinho é O louco de cati..."

Fonte: STEEN, Edla van. Viver & escrever 1. Porto Alegre: LP&M, 2008

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