Em seu novo livro, La ciudad de las palabras, o escritor argentino Alberto Manguel ataca os grandes grupos editoriais que tratam a literatura como "produto de supermercado", afirmando que essas editoras são culpadas de crime contra a humanidade.
"Seria necessário um tribunal internacional para julgá-las porque estão matando a imaginação, a criatividade e transformando o leitor num consumidor de lixo", disse o escritor.
O conjunto de ensaios, reunidos na obra tem o siginificativo subtítulo de Mentiras políticas, verdades literárias e é resultado de uma série de conferências que o escritor proferiu no Canadá, num ciclo de palestras da qual participaram autores como Doris Lessing, Margaret Atwood e Carlos Fuentes.
Ao longo de 180 páginas, Manguel reflete sobre a relação da literatura com o mundo e faz perguntas, para as quais muitas vezes não tem resposta, entre elas como a ficção contribui para uma compreensão de nós mesmos e dos outros e se ela pode ajudar a mudar o mundo.
O autor de Uma história da leitura (Companhia das Letras), seu livro mais famoso, é uma pessoa tranquila, mas, ao ver algo errado, fala sem rodeios. E o faz com uma cultura refinada, cultuvada na imensa biblioteca de 35 mil livros de sua casa em Mondion, França.
Para ele, os escritores devem passar por longos períodos de observação e reflexão, para "criar uma literatura que ilumine o seu tempo, lançando luz sobre o passado e o futuro, como lembrança ou como advertência".
_____
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/09/2010
Reportagem de Ana Mendonza (EFE) com tradução de Terezinha Martino