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“Escrevo à mão, depois datilografo. Não tenho e nunca terei computador... Escrevo de madrugada. Nunca fui dormir cedo, gosto do silêncio. Mas também, quando a idéia vem, anoto tudo em papelinhos. Isso acontece quando estou na rua. Ou no vegetariano onde almoço. Ou no supermercado. Meus melhores contos nasceram na fila do banco, tão cheia de joões e marias... No início eu escrevia todos os dias. Escrevia com raiva. Religiosamente. Burocraticamente. Foi assim até A Polaquinha, meu primeiro e único romance. Depois parei com essa mania. Só escrivão escreve todo dia. Só burocrata escreve com raiva, revolta, indignação”.
Fonte: Folha de São Paulo, 25/04/2004 - Nelson de Oliveira
Entrevista fictícia
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