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Por que escrevo?
Dalton Trevisan

“Hoje escrevo quando dá vontade, com ternura. Às vezes fico semanas sem pegar na caneta. É claro que com o passar do tempo vou ficando angustiado. Preocupado. Será que morri? Eu me apalpo, me cheiro. Não, ainda estou vivo. Ponho a cara pra fora da janela, escuto a cidade. Berro: “Estou pronto! Mova-se mundo”. Fico atento à gentinha no ponto de ônibus, no bar da esquina. Aí as idéias vêm aos montes. Até me assusto. fico com os pêlos do braços arrepiados”. 

Fonte: Folha de São Paulo, 25/04/2002 - Nelson de Oliveira

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