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Inspiração
Depoimentos e estudos

 

O que é inspiração ?

Prosseguindo no desejo de ampliar o escopo dos "Mistérios da Criação Literária", caímos nessa "questão elementar". Pois, o sentido está na própria palavra: inspira+ação. Ao mesmo tempo a questão é complexa porque continuamos não sabendo o que inspira a ação. Desse modo a palavra adquire ares misteriosos e, de qualquer modo, essencial para a criação literária.

Inspiração é o oposto da expiração; é o complemento da respiração; é o alento da realização; é um bocado de coisas, que ninguém sabe direito o que é. Mas tudo indica que ao inspirarmos, algo mais que ar é absorvido pelos pulmões. Que algo mais é este que causa tanta polêmica entre os escritores? Uns dizem que sem inspiração não dá para escrever; outros acham que ela pode até atrapalhar o processo criativo.

Antes de vermos o que os escritores falam, vejamos o que diz o Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais, de Mario Ferreira dos Santos, um grande filósofo brasileiro, infelizmente, desconhecido do grande público.

"Ao examinarmos a aspiração, vimos que quando o espírito humano, no seu dinamismo, dirige-se aos valores puros, como liberdade, justiça, a aspiração torna-se inspiração. Na inspiração, a imaginação criadora dirige-se para a realização de novas formas de cultura, sobre qualquer dos aspectos que as consideremos. Há, na inspiração aparentes acasos, que parecem dirigidos para uma finalidade, embora siga através de fluxos e refluxos. No pensamento de todos os povos, atribue-se sempre a inspiração à influência de um numem, que o concede ao homem. Entretanto, o estudo da emergência nos permite compreender que já possui o homem, em sua inteligência, suficiente poder para realizar algo de novo e de criador, sem que tal afirmativa implique a negação ou a desvalorização das investigações que se processam, quanto à interferência de poderes superiores extra-humanos.

Fala-se muito na inspiração dos artistas. Esse misterioso poder de criação. espontâneo, que parece como se uma potência exterior viesse em auxílio daquele.

Muitos artistas realizam obras num estado de mínima consciência, apercebendo-se do que fizeram quase ao fim ou ao término do que encetaram. Alguns chegam a afirmar um caráter de mediunidade, como se o artista não passasse de um instrumento dócil às mãos de um ser misterioso que o guiasse na realização da obra, como Mozart, que ouvia os seus concertos, num só ato, escrevendo-os, depois, por memorização. Se muitos homens de ciência e artistas realizam seus trabalhos através de um hercúleo esforço de meditação, de reflexão, de análise meticulosa, outros, porém, são de uma espontaneidade extraordinária, e suas obras surgem como por encanto, e são realizadas como por um esforço único, de um único impulso.

Tais fatos, embora assinaláveis, não têm encontrado na psicologia uma explicação satisfatória. A complexidade com que se revestem, as características individuais, que os cercam, impedem um estudo como psicologicamente se deveria fazer.

Ultrapassam os métodos puramente extensistas da ciência e penetram em terrenos onde as medidas carecem de significação.

As genialidades possuem esse poder de criação quase espontâneo, embora se encontrem, entre os homens de gênio, aqueles que realizam obras através de um grande esforço reflexivo.

No entanto, são sempre assistidos desse poder criador extraordinário, num grau bem desenvolvido. Suas intuições criadoras são, depois de esboçadas espontâneamente, examinadas friamente para o acabamento final, mas se apresentam ao espírito num impulso único, surgem como se fossem ditadas por potências misteriosas. É natural que a Psicologia não possa ainda oferecer uma explicação satisfatória neste terreno.

No século XIX, estiveram os psicólogos mais preocupados com os aspectos fisiológicos da Psicologia. Não eram examinados os aspectos profundos do subconsciente e do inconsciente. Nestes casos, todas as regras dadas pelos associacionistas malogram. Aqui não há o automatismo, porque aqui há uma autonomia criadora.

Não é apenas nas obras dos artistas que se dão tais casos. Também na obra dos filósofos e dos cientistas há muito de imaginação criadora. É partindo dela que muitas grandes descobertas foram iniciadas".

O dicionário comum, o "Aurelião", diz apenas que é "(1) o ato de inspirar-se ou de ser inspirado; (2) Ato de introuzir o ar nos pulmões, de inspirar; (3) Qualquer estímulo ao pensamento ou à atividade criadora; (4) Por extensão, o resultado de uma atividade inspiradora; (5) Pessoa ou coisa que inspira: inspirador. (6) Entusiasmo poético; estro. (7) Em termos teológicos, significa uma moção divina, que segundo a crença cristã, teria dirigido os autores dos livros canônicos da Bíblia".

Quanto a origem da palavra, O Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, não consta; mas consta inspirar:

vb. 'introduzir ar nos pulmões, incutir, infundir, fazer penetrar no ânimo' / xv, insperar xv / Do lat. inspirãre // inspirAÇÂO / xvi, spiraçõ xiv / Do lat. inspirãtio -õnis // inspirADOR xvi // inspirATIVO 1881 // inspirATÓRIO 1844. Cp. ESPIRAR, EXPIRAR.

Inspira+dor   *   Inspira+ação

Na Enciclopédia Mirador, curiosamente, a palavra INSPIRAÇÃO não consta. Mas aparece no índice a palavra inspiracionismo remetendo para crítica. Nos diversos conceitos e histórico da palavra crítica, chegamos na transição do século XVIII, onde se lê "Ao lado do sensualismo é decisivo o papel desempenhado pelo inspiracionismo, resultante da redescoberta de Longino. Ela se iniciara já em 1554, com a edição de Robortello, mas só alcançou a divulgação necessária com a tradução de Boileau, em 1674. A influência que Longino exerceu divide-se em duas fases distintas que quase se parece tratar de dois autores diferentes. O primeiro Longino é aquele cuja idéia de sublime aí se traduz na préciosité do estilo, na afetação grandiloquente da formosura. O sublime aí se identificava com o grandioso e se ajustava o hino à natureza, entoado pelo sensualismo. No segundo Longino, o realce passa à emoção e à secreta inspiração do poeta. A emoção do sublime - ékstasis - se converte no 'entusiasmo' ou 'paixão', espécie de emoção racional erguida contra a mesquinhez".

Em termos religiosos, a palavra tem um significado preciso, é o "sopro de Deus à humanidade". Mas o Dicionário Bíblico Universal (p.198) acrescenta o conceito de "inspiração verbal" e "inspiração plenária", definindo a inspiração conforme segue:

Esta palavra deriva-se de in spiro, "soprar para dentro, insuflar", aplicando-se na Escritura não só a Deus, como Autor da inteligência do homem (Jó 32.8), mas também à própria Escritura, como "inspirada por Deus" (2Tm 3.16). Nesta última passagem claramente se acha designada uma certa ação de Deus, com o fim de transmitir ao homem os Seus pensamentos. Ainda que se fale primeiramente de inspiração no Antigo Testamento, pode o termo retamente aplicar-se ao Novo Testamento, como sendo este livro considerado também como Escritura. A palavra, significando "sopro de Deus", indica aquela primária e fundamental qualidade que dá à Escritura o seu caráter de autoridade sobre a vida espiritual, e torna as suas lições proveitosas nos vários aspectos da necessidade humana.


O que é a inspiração, pode melhor inferir-se da própria reivindicação da Escritura. Os profetas do Antigo Testamento afirmam falar segundo a mensagem que Deus lhes deu. O Novo Testamento requer para o Antigo Testamento esta qualidade de autoridade divina. De harmonia com isto, fala-se em toda parte da Escritura, como sendo a "Palavra de Deus". Tais designações como "as Escrituras" e "os oráculos de Deus" (Rm 3.2). havendo também frases como estas - "esta escrito" - claramente mostram a sua proveniência divina.  Além disso, são  atribuídas as palavras da Escritura a Deus como seu Autor (Mt 1.22; At 13.34), ou ao Espírito Santo (At 1.16; Hb 3.7); e a respeito dos escritores se diz que eles falavam pelo Espírito Santo (Mt 2.15). E deste modo as própria palavras da Escritura são considerada de autoridade divina (Jo 10.34,35; Gl 34.16), e as suas doutrinas são designadas para a direção espiritual e temporal da humanidade em todos os tempos (Rm 15.4; 2Tm 3.16). O apóstolo Paulo reclama para as suas palavras uma autoridade igual à do Antigo Testamento como vindas de Deus; e semelhante coloca a sua mensagem ao nível das mais antigas Escrituras.


A garantia de ter esta doutrina da Sagrada Escrituras autoridade divina está no ensinamento a respeito do ES, que foi prometido aos discípulos de Cristo como seu Mestre e Guia (Jo 14.26; 16.13).


É melhor usar o termo "revelação" quando se tratar, propriamente, da matéria da mensagem, e a palavra "inspiração" quando quisermos falar do método pelo qual foi revelada a mensagem. Por inspiração da Escritura nós compreendemos a comunicação da verdade divina, que de certo modo é única em grau e qualidade. Como os apóstolos eram inspirados para ensinar de viva voz, não podemos pensar que não tivessem sido inspirados quando tinham de escrever. Por conseqüência, podemos considerar a inspiração como especial dom do Espírito Santo, pelo qual os profetas do Antigo Testamento, e os apóstolos e seus companheiros no Novo Testamento, transmitiram a revelação de Deus, como eles a receberam.


É claro o fato de uma única inspiração das Escrituras. Mas até onde se estende esta inspiração? Revelação é a manifestação dos pensamentos de Deus para a direção da vida do homem.  Se a vontade divina tem de ser conhecida, e transmitida às gerações, deve ser corporificada em palavras; e para se estar certo dos pensamentos, é preciso que estejamos certos das palavras. A inspiração deve, portanto, estender-se à linguagem.


Em 2Pe 1.21, os homens, e em 2Tm 3.16, a Escritura, diz-se serem inspirados; na verdade, não poderíamos ficar satisfeitos, considerando inspirados os homens, e não os seus escritos, porque a inspiração pessoal deve, necessariamente, exprimir-se pela escrita, se é certo que tem de perpetuar-se. A vida estender-se por toda parte do corpo, e não podemos realmente fazer distinção entre o espírito e a forma, entre a substância e o molde.


Todavia, a expressão "inspiração verbal" precisa ser cuidadosamente determinada  contra qualquer noção errônea. A possibilidade de haver má compreensão faz que muitos cristãos prefiram a frase "inspiração plenária". A inspiração verbal não significa um ditado mecânico, como se os escritores fossem instrumentos meramente passivos: ditar não é inspirar. A inspiração verbal estabelece até que ponto vai a inspiração, estendendo-se tanto à forma como à substância. Diz-nos o "que é", e não "como é", não nos sendo explicado o método da operação do Espírito Santo, mas somente nos é dado conhecer o resultado. Deus fez uso das características natural de cada escritor, e por um ato especial do Espírito Santo, habilitou-os a comunicar ao homem, por meio da escrita, a Sua divina vontade. Observa-se esta associação do divino e do humano nas passagens como estas:   Mt 1.22; 2.15; At 1.16; 3.18; 4.25. A operação do Espírito Santo junta-se com a atividade mental  do escritor, operando por meio dele e guiando-o. Ainda que não saibamos explicar o modo de tal operação, conhecemos os seus resultados. Certamente esta maneira de ver a respeito da inspiração refere-se somente aos escritos, como eles saíram das mãos dos escritores originais. Os manuscritos originais não foram preservados e por isso precisamos do auxílio de um minucioso criticismo textual de tal maneira que possamos aproximar-nos tanto quanto possível do tempo e das circunstância dos autógrafos.

Esta maneira de compreender a inspiração pode ser justificada pelas seguintes considerações:
a) O uso atual da Bíblia, na vida e obra da Igreja cristã, sendo acentuada a sua autoridade no ensinamento verbal.
b) Uma ponderada e sábia exegese em todos os tempos mas especialmente em nossos dias.
c) O recurso à Bíblia em todos os assuntos de controvérsia.
d) A crença sobre este ponto nos tempos apostólicos e sub-apostólicos.
e) O uso do Antigo Testamento pelos escritores do Novo Testamento, notando-se 284 citações, e frases como "está escrito".
f) Jesus Cristo acha apoio no Novo Testamento para suas considerações, como em Jo 10.30-36.
g) Os profetas e os apóstolos consideravam-se homens inspirados (2Sm 23.2; Jr 36.4-8; 1Co 2.13; 14.37). 

É impossível limitar a inspiração à doutrina, e considerar a história como sujeita a circunstâncias comuns, pois que  doutrina e história estão
  unidas de tal modo que não podem separar-se. A própria revelação de Cristo é a de uma pessoa histórica, sendo inseparável os fatos e as doutrinas que lhe dizem respeito. E diz o Novo Testamento que a história do Antigo Testamento é inspirada e escrita pra nossa instrução  (Rm 4.23,24; 15.4; 1Co 10.6,11).


Sendo a Bíblia uma autoridade para nós, assim a devemos considerar, seja qual tenha sido o método da inspiração: porquanto o valor da autoridade realmente independente de todas as particularidades sobre o modo como foi inspirada. É auxiliado o estudo da inspiração pela analogia entre o Verbo encarnado e a Palavra escrita: ambos são divinos, e também são humanos, embora, em cada caso, é impossível dizer onde termina o divino e começa o humano. Ambos os elementos ali estão, reais e inseparáveis, de maneira que, quer se trate de Cristo ou da Bíblia, podemos dizer que tudo é perfeitamente humano e tudo é absolutamente divino.


Ainda na área religiosa, encontramos uma explanação da palavra sob a perspectiva espírita. Segundo os adeptos de Allan Kardec, as pessoas fazem um certa confusão no significado das palavras "inspiração" e "intuição", as quais têm sentido e efeitos bem diferenciados. Os espíritas, conforme esclarece Francisco Aranda Gabilan, definem do seguinte modo:

  Determinadas matérias tratadas na exposição da Doutrina Espírita muitas vezes perecem sem importância, mas nunca será demais saber o exato sentido e praticar a correta aplicação dos termos.

  É o que acontece com a aplicação das expressões INTUIÇÃO e INSPIRAÇÃO: há alguns companheiros da exposição doutrinária, seja na área do ensino, seja na da divulgação, que acham (e, o que pior, passam adiante) não haver nenhuma diferença entre ambas.

  Mas, com licença de suas luzes, há diferença - e muita! São coisas diferentes, com diferentes sentidos e de efeitos diferentes.
  Vejamos, não com nossas próprias convicções - pois que, como diz o ditado popular, "santo de casa não faz milagres" - mas trazendo o quanto nos ensinam os entendidos e doutrinadores.

INSPIRAÇÃO:

 

  • Uma definição leiga: "Inspiração - sugestão, insinuação, conselho", ou "Inspirar - incutir, infundir, insuflar, introduzir" (Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, Vol. 2 Ed. Enciclopédia Britânica). Atende-se para a etimologia (origem) dessa palavra, que vem de inspirare, ou "introduzir ar", quase o mesmo que assoprar.

  • Agora, a doutrina: "A inspiração é a equipe dos pensamentos alheios que aceitamos ou procuramos" (Ceara dos Médiuns, "Faixas", Emmanuel. F.C. Xavier, FEB - 4ª edição, pg. 125, discorrendo sobre o capítulo "Evocações" do O Livro dos Médiuns).

  • Léon Denis (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, FEB, 1993, cap. 21, pg. 334), sobre a inspiração: "uma das formas empregadas pelos habitantes do mundo invisível para nos transmitirem seus avisos, suas instruções (...). Pela mediunidade o Espírito infunde suas idéias no entendimento do transmissor".

  • "É o recebimento espontâneo de idéias, pensamentos, concepções, provindo de Espíritos..." (Dicionário Enciclopédico de Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia, Ed. Bels. 1976, 3ª ed., João Teixeira de Paula). 

  • Ressalte-se: é espontâneo, logo, não precisa evocação, nem pedido de auxílio; é um socorro imediato e de bom grado.

        Em conclusão claríssima: Inspiração é a transmissão dos pensamentos e mensagens de uma mente para outra, "um assopro" do desencarnado para o encarnado possa livremente dispor de uma determinada figura, de uma idéia, de um quadro mental.

INTUIÇÃO:

  • Consulte-se Plantão, que fundamenta a intuição na preexistência (reencarnações anteriores), segundo a síntese trazida por Adolfo Bezerra de Menezes, em A Loucura Sob Novo Prisma = Estudo Psiquíco-fisiológico, FEB, 8ª Ed. - 1993, cap. 1, pg 19: "Antes de virmos a esta vida, já tivemos outras, e no tempo intermediário, que passamos no mundo dos Espíritos, adquirimos o conhecimento das grandezas a que somos destinados; donde essa reminiscência, a que chamamos intuição de um futuro, que mal entrevemos, envoltos no véu da carne".

  • Segundo Ney Lobo, em Filosofia Espírita da Educação e Suas Conseqüências Pedagógicas (Ed. FEB, 1993, pg. 92), "A intuição é instrumento de prospecção do fundo anímico do educando, das camadas sedimentares de perfeições e imperfeições acumuladas nas existências anteriores".

  • No livro Allan Kardec, Zêus Wantuil (ex-presidente da FEB), cuidando da mediunidade atribuída ao Codificador, afirma que "a intuição é a fonte de todos os nossos conhecimentos(...)", referindo-se aos conhecimentos que o Ser angaria ao largo de todas as suas experiências anteriores (cap. 3, pg. 41).

  • Dentre as várias abordagens do Livro dos Espíritos sobre a intuição , colhemos apenas a contida na questão nº 415, quando Kardec pergunta aos Espíritos qual a utilidade das visitas feitas durante o sono, se não nos lembramos sempre delas: "De ordinário, ao despertardes, guardais a intuição desse fato, do qual se originam certas idéias que vos vem espontaneamente, sem que possais explicar como vos acudiram. São idéias que adquiristes nessas confabulações". (46ª edição, FEB, tradução de Guillon Ribeiro).

  • E, afinal, o próprio Kardec, em A Gênese, Cap. XI, Doutrina dos Anjos Decaídos, item 43 (20ª ed. FEB, idem) falando das emigrações e imigrações dos seres espirituais ao largo dos tempos, afirma que alguns "são excluídos da humanidade a que até então pertenceram e tangidos para mundos menos adiantados, onde aplicarão a inteligência e a intuição dos conhecimentos que adquiriram (...)". E, pouquinho mais adiante, no mesmo item, Kardec é categórico: "A vaga lembrança intuitiva que guardam da terra donde vieram é como uma longínqua miragem a lhes recordar o que perderam por culpa própria". Com o mesmo sentido dizem os espíritos, na questão 393, sobre a "lembrança" (pela intuição) que os Espíritos têm de suas faltas passadas ao reencarnar.

 

        Nada mais claro resta: A intuição é o conjunto de conhecimentos próprios adquiridos ao largo das múltiplas experiências do Ser, que lhe aflora à mente espontaneamente, sem necessidade de ninguém lhe transmitir nada, pois que tais conhecimentos pertencem ao seu universo peculiar e subjetivo de conhecimentos.

        Portanto amigos, quando formos pedir "ajuda" aos Espíritos, peçamos que eles nos inspirem bons pensamentos, não que nos "intuam"; quanto à intuição, é melhor pedirmos a Deus (e até aos Espíritos, por que não?!) que nos ajude a organizar nossos próprios conhecimentos para usarmos no momento preciso e, sobretudo, em favor do esclarecimento do próximo. Ou melhor ainda, ouvir a sábia orientação de Emmanuel, no livro O Consolador, questão 122, quando lhe foi perguntado "que se deve fazer para o desenvolvimento da intuição", respondendo: "O campo do estudo perseverante, com o esforço sincero e a meditação sadia, é o grande veículo de amplitude da intuição, em todos os seus aspectos".

       Partamos, agora, para levantar a bibliografia existente sobre o assunto. Fomos saber primeiramente como o tema inspiração vem sendo estudado em nossas universidades, qual o volume de teses e dissertações dedicadas ao estudo dessa matéria. Consultamos a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (www.bdtd.ibict.br) a mais completa base de dados na área, mantida

pelo Instituto Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica. Encontramos lá 333 registros referentes ao tema. Porém ao verificarmos cada um dos itens assinalados, verificamos que nenhum deles enfoca o assunto de modo específico. Existem meia dúzia de registros classificados na área literária onde o assunto é tangenciado, e em alguns casos o termo "inspiração" é apenas citado e aceito como um conhecimento dado sem explicação alguma para seu significado. Ou seja, cita-se o termo em seu uso comum e aceito por todos sem a necessidade de uma conceituação mais pormenorizada.

       Falta verficarmos a produção bibliográfica de livros e artigos sobre o tema. Nessa tarefa, gostaríamos de contar com a ajuda do prezado leitor em nos enviar qualquer bibliografia (com resumo, se possível) Neste sentido transcrevemos o texto abaixo intitulado "Possessão, sopro divino ou Musa. Qual te inspira", de Alex Sens, publicado no site da Ateliê Editorial. Como se vê ele encontrou o mesmo problema da falta de bibliografia sobre o assunto. Seu texto é interessante pelo fato de tocar o assunto em sua especificidade e na sua importância. Temos enfim, alguma reflexão sobre o tema.

 

“É preciso estar possuído pelo demônio para ter êxito em uma arte.” A frase é de Voltaire, mas poderia ser de qualquer outro artista que tenha sentido essa espécie de possessão durante sua criação artística. A esta possessão também damos o nome de inspiração. Em busca de uma definição para ela, corri os dedos sobre algumas dezenas de livros de minha pequena (e em expansão ad infinitum) biblioteca. Não encontrei nada. Nem em grandes ensaios literários a inspiração ganha algum esboço analítico. E. M. Forster a coloca como um “estado”, e tanto não deixa de sê-lo como nos leva de volta à ideia de possessão, outro estado no qual o corpo se entrega ao estranho e por ele é guiado. O artista seria um possuído espontâneo?

Verbo precedente do latim inspirare, inspirar é soprar para dentro – e também comunicar. Em termos biológicos, a inspiração é uma das duas fases da respiração pulmonar: os pulmões se expandem aumentando de volume, a pressão interna cai, o ar se desloca do exterior para o interior através das vias respiratórias. Por outro lado, em sentido mais figurado e romântico, a inspiração é a intuição primeira que um artista tem antes de criar uma obra de arte. Ela está ligada à percepção, a estímulos sensoriais, à imaginação e à inteligência. Num sentido teológico, a inspiração segue o mesmo fluxo desse rio quimérico, sendo uma espécie de comunicação divina. Daí retorna-se à ideia de possessão, à presença de um espírito que fala com o corpo ou que nele impera durante a criação. No campo artístico, a inspiração era e ainda é chamada de Musa, sobretudo para escritores românticos que extraíam do mundo e principalmente da natureza a fonte de suas obras; pode vir tanto de fora quanto de dentro do escritor, embora este “de dentro” seja um tanto pernicioso. Pernicioso porque o que vem de dentro é imagem concebida a partir de outra(s) que tenha(m) vindo de fora. A inspiração interior pura não existe, aquela que pinga na mente do escritor sobressaltando-o, porque, esbarrando em teorias psicanalíticas, ela faz parte do subconsciente, o porão sombrio e impalpável da criatividade. Quando deixamos a psicanálise e a psicologia de lado, só podemos cair no conceito de inspiração enquanto sopro divino. E retomando a biologia, podemos pensar que a inspiração é igualmente misteriosa, automática, mas não programável – como a de caráter artístico.

Discutir as próprias inspirações e entender todos os impulsos por trás delas é entregar-se a uma vertigem atemporal. Parte do que me inspira surge com a espontaneidade e eficiência de uma lâmpada sendo acesa: subitamente a frase ou a imagem ilumina o escuro caminho da escrita, revelado enquanto a linguagem é esticada em seus próprios limites. Não é comum, mas muitas vezes fui “possuído” ou “iluminado” por histórias quase completas, com personagens, lugares, vozes, enredo, em questão de segundos, como se estas histórias, antes pequenos brotos coloridos enterrados no negrume do inconsciente, desabrochassem em explosões florais de perfumes e pétalas carnudas. A outra parte do que me inspira é mais evidente no ato em que a inspiração se dá. São músicas, filmes, conversas, fotografias, sabores, os chamados estímulos sensoriais. Capto instintivamente essa comunicação sensorial, logo transformada em esboço que se transformará ou não em literatura. Antes de desejar a inspiração como uma característica específica da personalidade artística, é preciso saber observar. E observar sem medo. Observar até ser engolido pelo objeto observado. É a partir de uma observação arguta, de qualquer coisa, que a inspiração torna-se mais palpável, mais rica, e para tê-la, para exercitá-la, é preciso também interesse.

Alguns meses atrás eu estava sentado num dos bancos de um shopping, folheando um pequeno livro do Coetzee em frente a uma loja de roupas esportivas, quando um funcionário começou a despir um dos manequins. Instantaneamente me perguntei: e se o único corpo que esse cara despiu até hoje foi o de um manequim? Seria um fato interessante, incomum e ligeiramente irônico numa contemporaneidade tão estimulada sexualmente, onde corpos brotam aos montes e objetos são transformados em sujeitos para sua autossatisfação. Eu também, vítima dos estímulos, não só vi ironia e erotismo na cena, mas um pouco de tristeza, de drama, e comecei a inventar uma vida para aquele funcionário. Como a morte, a inspiração tem esse poder de surpreender quando menos se espera. E diferentemente dela, não há luto, a não ser que se considere a ideia como ser vivo, cujo falecimento se dá na conclusão de seu processo criativo.

Inspire-se. E observe – também os funcionários das lojas de roupas esportivas. Minha história sobre aquele funcionário morreu dias depois sem conclusão. Seu espírito vaga por aí, em busca de alguém que queira ser possuído.

 

Na pesquisa bibliográfica que iniciamos, encontramos um livro de Octavio Paz - O arco e a lira (1956) - onde a parte sobre "A revelação poética" traz um capítulo intitulado "A inspiração", do qual extraimos as partes abaixo:

 

"O ato de escrever poemas se oferece aos nossos como um nó de forças contrárias, no qual nossa voz e a outra voz se enlaçam e se confundem. As fronteiras se extinguem: nosso discorer se transforma insensivelmente em algo que não podemos sominar totalmente; e nosso eu cede lugar a um pronome inominado, que não é inteiramente um tu ou um ele. Nessa ambiguidade consiste o mistério da inspiração. Mistério ou problema? Ambas as coisas: para os antigos a inspiração era um mistério; para nós, um problema que contradiz nossas concepções psicológicas e nossa própria idéia do mundo. Bem, essa conversão do mistério da inspiração em problema é a raiz da de nossa impossibilidade de compreender corretamente em que consiste a criação poética...Numa sociedade em que, longe de ser posta em dúvida, a realidade exterior é a fonte de onde brotam idéias e arquétipos, não é difícil identificar a inspiração. A "outra voz", a "vontade estranha" são o "outro", isto é Deus ou a natureza com seus deuses e demônios. A inspiração é uma revelação porque é um manifestção dos poderes divinos. Um nume fala e suplanta o homem. Sagrada ou profana, épica ou lírica, a poesia é um dom, algo exterior que baixa sobre o poeta. A criação poética é um mistério porque consiste num falar dos deuses pela boca humana. Mas esse mistério não provoca nenhum problema, nem contradiz as crenças comumente aceitas. Nada é mais natural que o fato de o sobrenatural se encarnar nos homens e falar sua linguagem...

 

 

Enquanto aguardamos mais textos sobre o assunto, vamos aos

DEPOIMENTOS DOS ESCRITORES

Adélia Prado

"O momento feliz para escrever é quando a inspiração está cutucando a gente, como um aguilhão num boi, essa é a felicidade plena. Quando você está louco para escrever, é a pura felicidade; quando a coisa pede para ser dita, é o Espírito Santo querendo ser adorado, soprando no meu ouvido um hino litúrgico".

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici, 1994.

É, é aquela velha discussão: é inspiração, é transpiração, não existe inspiração... Eu acredito em inspiração. Para mim, a inspiração é exatamente o desejo de expressar algo que pede expressão, porque senão é como fazer tijolo sem barro, não é? Você vai ao seu escritório... Eu trouxe um poema exatamente porque eu sab ia que essa pergunta ia ser... Eu falei: em caso de chuva, eu tenho... Eu posso ler o poema? [Ele] responde o que eu penso de inspiração.

Fonte:Programa Roda Viva, da TV Cultura, 05/09/1994

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Alberto Moravia

"Em arte, o tempo é, de resto, uma medida convencional: pode-se em dez minutos recuperar alguns anos de preguiça ou de obscuridade. A inspiração não se importa com o tempo. Verifica-se isso, verdadeira e fisicamente, nos momentos de inspiração: a inteligência executa, então, operações com uma rapidez extraordinária. Não é de espantar que Stendhal tenha escrito A Cartuxa de Parma em quarenta dias.”

Fonte: CHAPSAL, Madeleine. Os escritores e a literatura. Lisboa: Dom Quixote. 1967

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Anderson Braga Horta

"Parto do que chamamos inspiração (embora nem sempre espere por uma centelha mágica...), que, todavia, não prescinde das técnicas de construção, sua contraparte intelectual. Na verdade, inspiração e construção imbricam-se, são aspectos de um ato unitário – o fazer poético. Não sei dizer qual dos dois aspectos predomina em mim”.

Fonte: GOMES, Danilo. Escritores brasileiros ao vivo. Belo Horizonte/Brasília: Comunicação/INL, 1979.

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Anthony Burgess

"Em Nothing like the sun, a Musa não era uma verdadeira musa - era apenas a sífilis. Em Enderby, a garota é realmente sexo. que, como a sífilis, tem algo a ver com o processo criativo. Quero dizer, não se pede ser um gênio e sexualmente impotente. Ainda penso que a inspiração surge do ato de produzir um artefato, uma obra engenhosa".

Fonte: Os escritores 2: as históricas entrevistas da Paris Review. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

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Antonio Olinto

"Para escrever tenho que ficar atuado, em transe. O que eu chamo de inspiração é, na verdade, transe. O importante é fazer um plano por escrito. Assim, você se compromete, por exemplo, a escrever cinco páginas por dia. Se não conseguir, fica devendo e 'paga' no fim de semana... Para mim, a inspiração vem da música. A inspiração é a coisa que te empurra pra frente e faz cócegas em seu espírito, te obrigando a reagir.”

Fonte: Jornal do Brasil, 11/01/1997

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Auguste Rodin

"Não contem com a inspiração. Ela não existe. As únicas qualidades do artista são prudência, atenção, sinceridade, vontade. Cumpram a sua tarefa como operários honrados".

Fonte: El arte. Buenos Aires: El Ateneo, 1943.

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Augusto de Campos

"Para mim, o momento em que se deslancha o fato poético é meio misterioso; quer dizer, acho que existe aí um problema de intuição, alguma espécie de percepção que se acumula e que subitamente te sugere uma palavra, uma imagem, que te ativa a sensibilidade. E naturalmente, aí, entram os conhecimentos, as aquisições culturais. É como se a gente estivesse todo o tempo se preparado tecnicamente para um momento que vai chegar; mas eu não posso dizer: vou escrever um poema daqui a uma hora; é impossível,  tem que haver uma somatória, uma química interna que me permita encontrar as coisas que eu procuro; às vezes tomo nota de uma palavra, de uma imagem, mas não consigo, muitas vezes, realizar imediatamente. Paul Valéry dizia: ‘Os primeiros versos te dão os deuses, o resto você tem que fazer’”.

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici scrl, 1994.

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Autran Dourado

“Não gosto da palavra inspiração. Prefiro usar o termo ‘idéia súbita’, que pode ser uma figura, uma frase... A minha tendência natural, depois de uma dessas idéias súbitas, é vir para casa e começar a escrever. Mas eu me contenho e deixo que a história cresça e evolua dentro de mim.

Fonte: O Globo, 29/01/1995 – Elizabeth Orsini 

“Em geral, organizo o livro antes de estar pronto. Quando me vem uma idéia súbita, minha tendência inicial é correr para casa, sentar e escrever. Por isso, onde eu estiver, ando sempre com um caderninho no bolso. Planejo, tomo notas, até que surja a forma. Leio uma porção de livros auxiliares. Estudo, faço fichas, lista de palavras boas. Deixo que a idéia súbita cresça e germine dentro de mim, crie sua própria forma".

Fonte: Correio Braziliense, 2/11/1997 - Nahima Maciel

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Caetano Veloso

"Realmente eu não sei, porque isso de inspiração... Eu usaria a palavra mesmo sem aspas, mas eu não sei dizer exatamente como é; alguns grandes poetas se rebelam muito contra essa idéia de inspiração, sobretudo João Cabral, que é meu poeta brasileiro predileto".

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Escever 2. Bari: Ecumenica Editrici, 1994.

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Camilo Castelo Branco

Não cuidem que podem ler um romance, logo que soletram. Precisam-se mais conhecimentos para o ler que para o escrever. Ao autor basta a inspiração, o que é uma coisa que dispensa tudo, até o siso e a gramática. O leitor, esse precisa mais alguma coisa: inteligência; e se não bastar esta, valha-se da resignação”

Fonte: BRITO, Máio da Silva. Conversa vai, conversa vem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.

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Carlos Drummond de Andrade

"Eu sou inteiramente partidário da idéia da inspiração. Seja banal, antiquado, mas sem inspiração não se faz nem se escreve nada. A pessoa adquire a técnica de se comunicar e tem facilidade, como eu tenho, de escrever coisas. Mas aquela coisa profunda que vem das entranhas da gente, isto é inspiração..."

Fonte: Jornal da tarde, 19/10/1986

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Carlos Fuentes

"Não creio na inspiração, é um palavra que detesto. Só existe nas cartas de amor, aos quinze anos. Creio na disciplina, às oito da manhã, com minha caneta, até a uma da tarde e depois, até a noite, trabalhando.

Fonte: O Estado de São Paulo, 24/04/1983

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Carlos Nejar

"Eu acredito na inspiração. O poema pode me nascer dentro de um livro, quando já existem vários outros poemas e estou vivendo aquele clima e as palavras estão imantadas em mim. vivendo em mim. Depois de elas viverem em mim, vêm à baila. Posso escrever um poema caminhando pela calçada. Me aconteceu quando, promotor de justiça em Caxias do Sul, caminhava para o fórum: de repente, o poema começou a se misturarao ruído de meus passos. Escrevi 'Selos dos dias' do Poço do calabouço".

Fonte: RICCIARDI. Giovanni. Auto-retratos. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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Carmen Moreno

"Eu creio que é um processo de percepção e de subconsciente de tudo aquilo que vamos percebendo e que vamos processndo".

Fonte:http://www.conoceralautor.com/debate/index/OA==(05/10/2010)

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Clarice Lispector

“O processo de escrever é feito de erros - a maioria essenciais - de coragem e preguiça, desespero e esperança, de vegetativa atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada e de repente aquilo que se pensou que era “nada” era o próprio assustador contato com a tessitura de viver - e esse instante de reconhecimento, esse mergulhar anônimo, esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação) precisa ser recebido com a maior inocência, com a inocência de que se é feito".

Fonte: Jornal do Brasil, 8/5/1999

"Quando estou escrevendo alguma coisa eu anoto a qualquer hora do dia ou da noite, coisas que me vêm. O que se chama inspiração, não é? Agora quando estou no ato de concatenar as inspirações, aí sou obrigada a trabalhar diariamente".

Fonte: Revista Shalom. S.Paulo, v. 27, nº 296, 1992.

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Cyro dos Anjos

"Momentos felizes ou ideais para escrever. Isso leva à famosa questão sobre o que é inspiração. Disse um escritor com muito espírito que na arte há mais transpiração do que inspiração. Flaubert sustentava que é preciso a gente sentar à mesa, com disposição ou não, mesmo que saia apenas um período, uma página ou uma linha. Mas é do hábito de sentar-se todo dia que nasce o trabalho. Evidentemente há momentos excepcionais, mas a arte nasce do trabalho artesanal, artístico"

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Auto-retratos. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

"Não costumo sentar-me à mesa, pacientemente, à espera do socorro das musas. Mesmo porque estas são umas vigaristas, impigem muito produto ordinário ao pobre do escritor. e não dão nada de graça. Meretrizes de luxo, arancam o couro e o cabelo do desventurado que se envolve com elas. Só pego da pena quando tenho, realmente, algo a dizer"

Fonte: STEEN, Edla van. Viver & escrever 2. Porto Alegre: L&PM, 2008.

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Davi Jimènez

"No meu caso a inspiração procede quase sempre da experiência".

Fonte: www.conoceralautor.com/debate/index/OA== (05/11/2010)

Daniel Piza

Escrevo sentado, vestido, ao computador de mesa, digitando rapidamente com dois dedos, de vez em quando parando para tomar um copo d´água ou uma xícarade café, de manhã e à tarde, produzindo em média 100 laudas por mês, corpo 14 em Times New Roman, tela branca, no escritório de casa ou na sala da redação. A descrição soa a de uma rotina burocrática, mas o que aprendi foi justamente que a inspiração só vem para quem trabalha por ela".

Fonte: Depoimento em 15/01/2005.

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Décio Pignatari

A poesia é uma coisa divina, mas a prosa é um sofrimento brutal, não é a inspiração que resolve. Eu concordo com aquele pensamento de Baudelaire que dizia que 'quanto mais se trabalha, melhor se trabalha'. Não gosto de fazer um trabalho no ímpeto da inspiração. Gosto de trabalhar, com método e com concentração, para pensar na frente daquele branco enorme à minha frente - o Brasile é um imenso branco, o significado de cada palavra é uma benção enorme".

Fonte O Estado de São Paulo, 27//02/1999 - Jotabê Medeiros

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Dias Gomes

"Não conheço nenhum (processo de inspiração). Ele vem como e quando quer vir, das formas mais diferentes. Nunca tive duas peças que nascessem do mesmo modo. Na televisão, dado seu sistema de trabalho, aprende-se a trabalhar sem inspiração. Do contrário, ninguém poderia escrever novelas".

Fonte: O Estado de São Paulo, 26/03/1996 - Natasha Szaniecki

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Dinah Silveira de Queiroz

"Nunca ri, nem caçoei de nenhum escritor malogrado porque, simplesmente, não somos nós os donos do momento em que pisamos aquele lugar no qual os outros nos encontram. Será a sorte, será a mão de Deus Pai, será a humildade de fazer e refazer? A verdade é que se a mensagem chega – nós estamos salvos, somos escritores. Mas qualquer um de nós pode oferecer generosamente tudo o que tem dentro do seu espírito e vir a ser recusado, simplesmente porque não achou aquele terreno de encontro com o próximo, isto é, a mensagem não atingiu o alvo".

Fonte: LISPECTOR, Clarice. De corpo inteiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

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Eliana de Freitas

"A obra, os outros e nós, autores - escravos das palavras que querem vida -, passamos a ser elementos de uma maestrina ego-excêntrica, a inspiração. A inspiração usa-se de nossa própria vida e todos que por ela passam, sejam de relance, de chegada, de partida, de estada, de propósito ou sem um qualquer, apropria-se dos nossos entes e momentos. Deixa-nos no cenário, mas leva nossos olhos ao perigeu e de lá se põe a focar e distorcer atos e fatos... Quando ela chega, a inspiração, como máquinas de produção literária são textos e mais textos, opiniões sobre tudo e todos e então, não mais que de repente, ela some; foi embora. Buscamos, buscamos e nada, cadê? Cadê? O que fazer?"

Fonte: Escrever, eis a questão.

www.elianadefreitas.recantodasletras.com.br (12/10/2010)
  

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E.M. Foster

"Escrevo sob uma inspiração. Mas o ato de escrever inspira-me. É uma sensação gostosa..."

Fonte: COWLEY, Malcolm. Escritores em ação: as famosas entrevistas à Paris Review. Rio de Janerio: Paz e Terra, 1968.

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Érico Veríssimo

"Tenho pensado nisso. Não sei de onde vem isso a que chamamos inspiração por falta de melhor palavra".

Fonte: A liberdade de escrever: Érico Veríssimo. São Paulo: Globo, 1999.

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Esdras do Nascimento

"Com Osman Lins, que quando vinha de Pernambuco se hospedava na mnha casa, eu aprendi uma coisa muito boa. Uma vez me perguntou como estava meu romance. Eu disse-lhe que não estava escrevendo, porque tinha muita coisa para fazer; estava sem dinheiro, etc. Ele disse-me que era engraçado eu ter tempo para trabalhar para o patrão e não para mim. Com isso, descobri que é possível trabalhar todos os dias com regularidade, com dor de cabeça, com diarréia, sem dinheiro, apaixonado: importante é trabalhar. Veja, por exemplo, o Hemingway, que era meio 'porra louca', mas trabalhava com regularidade; o Faulkner, que vivia sempre bêbado... Não se pode esperar pela inspiração. É preciso ter talento, como para ser médico ou jogador de futebol. Um dia eles se saem bem, outro mal, pela média vamos saber se eles são bons ou não. Não existe isnpiração, existe um dia mais feliz e outro menos feliz".

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici, 1994.

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Ferreira Gullar

"Escute, a palavra inspiração, ela tem uma conotação antiquada, pressupõe inspiração divina ou de deuses. Isso, realmente, não é o caso. Mas transpiração é trabalho. Sem transpiração não há arte, sem trabalho, sem o apuro dos meios, da forma, não há arte. Mas também sem essa outra coisa que se chama inspiração também não há. Porque do contrário, se saber fazer fosse suficiente para se fazer arte, então todo poeta, depois que ele ganhasse o domínio da sua técnica, ele passaria a produzir em série obras-primas, coisa que a história mostra que não é verdade... Sim, (é uma mágica) porque eu digo, um poeta como João Cabral disse que não tem inspiração. Eu brincava com ele, eu dizia: é mentira, se você fizesse a poesia que você diz que faz não prestaria, mas como você é um grande poeta, você diz uma coisa e faz outra.

Fonte: Programa Roda Viva, da TV Cultura, 15/10/2001

"Creio que o impulso secreto (para escrever Poema sujo, em 1975) foi a urgência de reafirmar a vida, de resgatá-la na distante São Luís da infância. Escrevi o poema num estado de espírito especial, 'inspirado', como se dizia antigamente. Não tinha plena consciência do que escrevia e nem hoje sei ao certo o que o poema significa. A verdade é que, ao escrevê-lo, me sentia vivendo em plenitude".

Fonte: MARETTI, Eduardo. Escritores: entrevistas da Revista Submarino. São Paulo: Limiar, 2000.

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Francisco Alvim

"...Então, é necessária uma violência muito grande, uma maneira que não me deixe espaço para escapar, daí o negócio da inspiração. Todo mundo é contra, não existe inspiração. Para mim existe, sim, é aquilo que me obriga a sentar e ouvir uma voz qualquer e ficar com o olho inteiramente perdido, nas circunstâncias mais embaraçosas; às vezes, no meio do trabalho o sujeito está contando coisas essenciais e eu procuro o ritmo, a palavra e vejo que o poema está saindo, está saindo a despeito da minha vontade. Ai, eu me jogo e escrevo em qualquer lugar”.

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici, 1994.

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Frederick Forsyth

"A inspiração vem do mundo ao meu redor. Pode ser algo que vejo na televisão, num filme, um documentário, um jornal ou revista. A primeira coisa que acontece é meu cérebro começar a perguntar por que aquilo está acontecendo e o que está por trás".

Fonte:O Globo, 30/o8/1992 - Daniel Stycer

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Gabriel Garcia Márquez

"Você espera pela inspiração, quaisquer que sejam as circunstâncias. Essa é uma palavra que os românticos exploravam muito. Meus camaradas marxistas têm dificuldade em aceitá-la, mas não importa o nome que se dê a isso, estou convencido de que há um estado de espírito especial em que você consegue escrever com grande facilidade e as coisas simplesmente fluem"

Fonte: Os Escritores 2: As históricas entrevistas da Paris Review. São Paulo: Cia. das Letras, 1989.

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Gary Snyder

“Estou sempre escrevendo poemas. Quando me sinto estimulado a escrever? Quando me sinto estimulado a escrever! A poesia não é prosa: na prosa você pode se atirar e se forçar a escrevê-la. Já com a poesia é preciso que a voz chegue até você. É uma questão de inspiração, de se conseguir uma idéia criativa que o surpreende e que vem de outra parte. Meu trabalho é sempre estar pronto para a poesia. A escrita de um novo poema é sempre uma surpresa”.

Fonte: O Estado de São Paulo, 31/05/2009 – Rodrigo Garcia Lopes   

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Georges Simenon

"Jamais tive inspiração literária... Não acredito no estado de graça. Acredito no escritor se desfazer da sua pele e entrar na pele do personagem".

Fonte: Revista Oitenta (Porto Alegre), vol.1, dez. 1979.

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Gilberto Gil

"Sim, eu sou muito inspirado, menos porém em caso de música encomendada, principalmente música de filmes, onde você faz, anteriormente á composição, análise conceitual do tema, do sentimento a serem expressos, da emoção a ser representada. Neste caso, eu posso partir de certos elementos, mas, em caso de composições normais, as canções brotam... Mas, as mais importantes, as mais fortes são essas que surgem, assim, da inspiração".

Fonte: RICCIARDI, Govanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici, 1994.

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Gilberto Mendonça Teles

"Os gregos falavam de musa; os latinos de inspiração; Paul Valéry em anjo ou demônio; Freud deve ter pensado no desejo. Eu penso na vontade: de vez em quando sou tomado pela vontado-desejo de escrever algo, e começo a escrever".

Fonte:<www.poeticas.com.br> 11/11/2004

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Guimarães Rosa

"Não precico inventar contos. Eles vêm a mim, me obrigam a escrevê-los. Acontece-me algo assim com vocês dizem em alemão: Mich reitet auf einmal der Teufel ("De repente o diabo me cavalga"), que neste caso se chama precisamente inspiração. Isto me acontece de forma tão consequente e inevitável, que às vezes quase acredito que eu mesmo, João, sou um conto contado por mim mesmo. É tão imperativo..."

Fonte: LORENZ, Gunter W. Diálogo com a América Latina. São Paulo: E.P.U., 1973.

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Gustavo Martin Garzo

" Eu creio na inspiração. Não se pode escrever sem inspiração. O que acontece é que a inspiração é muito caprichosa; então é preciso buscar-la".

Fonte: www.conoceralautor.com/debate/index/OA== (05/11/2010)

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Haroldo Campos

"Não tenho nada a opor à palavra inspiração, mesmo porque essa palavra significa 'dar um impulso, um novo pneuma, um novo inspirar, um nvo sopro'. Mas, para ser objetivo, o que acontece para mim  é que eu estou fazendo um trabalho com a linguagem. E eu luto com a linguagem e procuro dominá-la. Agora, a linguagem tem as suas exigências. Ela é imaterial, acaba sendo como uma planta, tem vida própria. A um certo momento, ela me dá uma resposta que se diferencia do meu escopo inicial".

Fonte: D.O. Leitura, jun. 2004 - Mechthild Blumberg

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Henry Miller

"Cada pessoa tem seu próprio caminho. Afinal de contas, a maior parte dos escritos é feita longe da máquina de escrever, longe da escrivaninha. Eu diria que acontece nos momentos calmos e silenciosos, quando estamos caminhando, fazendo a barba ou jogando uma partida ou seja o que for, ou até mesmo conversando com alguém por quem não temos um interesse vital".

Fonte: Os Escritores 2: As históricas entrevistas da Paris Review. São Paulo: Cia. das Letras. 1989.

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Hilda Hilst

"A poesia vem como uma febre. De repente lhe vem e aí você agradece. Você nem sabe explicar por que tem esse dom".

Fonte: Correio Braziliense, 15/02/1998 - Sergio de Sá

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Ian McEwan

"Estar presente à própria vida, habitá-la por completo no presente: são momentos raros e preciosos, dádivas da inspiração e do amor. O amor, na verdade por uma mulher, um homem, uma criança, é o que planta a experiência no real. Descrever o amor, sem sentimentalismo nem cinismo, é a tarefa mais difícil da literatura".

Fonte: Folha de São Paulo, 12/12/1998 - Cassiano Elek Machado

Isabel Allende

"Em meu trabalho há rituais. No meu escritório sempre há flores. E nunca deixo de acender um vela quando começo a escrever, porque sinto que assim chamo a inspiração... Acabou a vela, acabou o trabalho".

Fonte: Playboy, agosto de 1999.

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Isabel del Rio

"Eu me inspiro na realidade. Necessito ver e apalpar as coisas. Mas quando tenho uma idéia forjada e começo a escreve, são os sonhos e e os pesadelos as que, me  dão força para continuar".

http://www.conoceralautor.com/debate/index/OA==

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Jean Cocteau

"Não é inspiração; é expiração". (As mãos finas e pálidas sobre o peito; solta o ar; um profundo suspiro saindo bem de dentro.)

Fonte: Os escritores 2: as históricas entrevistas da Paris Review. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
 

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João Cabral de Melo Neto

Eu não acredito em inspiração e nem sou poeta inspirado. O ato de criação para mim é intelectual. Minha poesia trabalha a criação e a construção. Acredito na expiração. Na composição de um poema, primeiro me ocorre um tema e eu tomo nota. Depois vou estudando-o e desenvolvendo-o. Nunca escrevi um poema inspirado, soprado pelo Espírito Santo. Isso eu não sei o que é...".

Fonte: Correio Braziliense, 18/01/1998 - Gerson Camaroti

 

"Inspiração não tenho nunca. Aliás, como diz Auden, a poesia procura a gente até os 25 anos. Depois, é a agente que tem de procurá-la, inspirá-la. Confesso que desde o início construí minha poesia. Rendimento é uma questão de trabalho e método. De sentar todos os dias à mesma hora. O rendimento dos primeiros dias pode ser menor, mas depois se torna regular".

Fonte: Jornal do Brasil, 16/08/1968

"Há dois tipos de poetas: os esforçados e os inspirados. O poeta inspirado tem defeitos que o esforçado não tem, e vice-versa. Eu, por uma questão de temperamento, me coloco entre os esforçados. Há quem diga que tudo que não é espontâneo não é autêntico, mas não concordo com a opinião. Com o esforço, pode-se aprefeiçoar sempre uma obra, independente da inspiração".

Fonte: Diário de Pernambuco, 08/10/1973 - Geneton Moraes Neto

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Jorge Amado

"Inspiração para mim é a idéia, é o amadurecimento interior - eu prefiro a palavra vocação: você nasce ou não para escrever, e acabou. O trabalho só não basta. Mas o trabalho é essencial, fundamental e deve ser disciplinado. Levo anos sem fazer nada - quero dizer, sem estar na máquina a bater as páginas de um livro. Durante esse tempo estou concebendo a idéia do romance - a isso chamo de inspiração"

Fato: LISPECTOR, Clarice. Entrevistas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

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Jorge Luiz Borges

"Quando alguma coisa me vem, uma espécie de vaga revelação - a palavra é pretensiosa, eu diria antes, quando entrevejo alguma coisa, que pode ser um poema, um conto, uma página de prosa -, ela me é revelada em seguida.

Fonte: Leia, São Paulo, setembro de l985.

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José Saramago

"Todos os meus livros começam, digamos, – não quero chamar de inspirações, a palavra inspiração não significa nada - diria mais por iluminações. É como se de repente, numa superfície escura, uma luz tivesse iluminado qualquer coisa".

Fonte: Correio Braziliense, 23/11/1997 - Armando Mendes

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Josué Montello

"Não acredito no escritor que só produz mediante 'inspiração'. Acho que todo criador é um grande crítico que exerce sobre si mesmo uma grande vigilância. Muitas vezes esse grande crítico não tem um pensamento coincidente com a crítica de fora mas o crítico existe assim mesmo na elaboração do romance.

Fonte: O Estado de São Paulo, 12/01/1986 - Beatriz Marinho

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Juan Gelman

"quando você começa a escritura, a obsessão está num ponto muito elevado e a expressão dessa obsessão está num ponto muito baixo. Quase sempre a obsessão traz elementos de uma obsessão anterior, que ficaram incrustados. Isso aparece no que chamam de técnica. À medida que você vai escrevendo, a obsessão baixa e aumenta a proximidade em relação à expressão. Há um ponto em que elas se cruzam e aí, então, conseguem-se os melhores poemas".

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Fonte: Nossa América, São Paulo, nº 3, jul./ago. 1990

Juan Rulfo

"Quando começo a escrever, não creio na inspiração, a questão de escrever é uma questão de trabalho. Começar a escrever para ver o que sai, e encher páginas e páginas, para que, de repente, apareça uma palavra que nos dê a chave do que há de ser feito, para ver o que será aquilo. Às vezes acontece de eu escrever cinco, seis ou dez páginas e não aparecer aquela personagem que eu queria fazer aparecer, aquela personagem viva, que tem que se mover por conta própria; quando de repente ela surge, a gente vai seguindo, vai atrás.”

Fonte: Nossa América, S.Paulo, nº 3, 1992

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Julio Cortázar

"Mas o que posso dizer, e por isso falo que o trabalho me impõe o método, é que, quando começo uma coisa, há subitamente uma espécie de corrente que se fecha entre mim e a coisa, entre mim e essa página que foi posta na máquina. E então volto, fico e termino o que estou fazendo. Nesse momento sou capaz de trabalhar horas seguidas".

Fonte: PREGO, Omar. O fascínio das palavras: entrevistas com Julio Cortazar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991.

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Libério Neves

"Eu acredito mais em motivação. Imagina. Um dia você acorda e diz: hoje estou inspirado, vou escrever um poema. Mas sobe o quê, o que vai te motivar a escrever? Inspirado em quê? A inspiração existe, mas as motivação a dirige".

Fonte: Entrevista de Libério Neves à João Pombo Leite. Suplemento Literario de Minas Gerai, nov. 2010.

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Luis Fernando Veríssimo

"Não acredito em inspiração. As idéias ficam guardadas em algum lugar e quando eu preciso, elas vêm. Mas nada a ver com uma coisa misteriosa chamada inspiração. Tenho a obrigação de produzir e produzo.

Fonte: Correio Braziliense, 09/11/1997 - José Rezende Jr.

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Luiz Antonio de Assis Brasil

"Técnica literária - eis um sintagma diabolizado em certos meios cultos: é como se a literatura derivasse apenas da inspiração (sabe-se lá o que é isso), ou que a técnica fosse algo menor, própria dos obreiros manuais, dos carpinteiros e alfaiates"

Fonte: http://www.laab.com.br/bio.html (14/10/2008)

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Marcos Rey

Nos momentos em que sinto vazio ouço música. Aí sacode tudo lá dentro... sinto que a ispiração vem mais fácil, mais impetuosa, mas definitiva. Ela cria o clima na cabeça. Se prestar muita atenção me aproximo e sinto o que o autor da música quer dizer, e, às vezes, coincide com o texto: é isso, é isso que quero fazer".

Fonte: Correio Braziliense, 11/01/1998 - Nahima Maciel

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Mario de Andrade

"Às vezes abandono inteiramente o que estou em via de escrever, para escrever alguma inspiração de momento. Foi o que sucedeu com Macunaíma, por exemplo, escrito numa semana sem parar".

Fonte: LOPEZ, Telê Porto Ancona. Mario de Andrade: entrevistas e depoimentos. São Paulo: T.A. Queiroz, 1983

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Mario Quintana

"A poesia não é inspiração pura, é trabalho; não é só ficar esperando que o santo baixe, é preciso puxar o santo pelos pés e isso dá trabalho; esse é o trabalho poético...".

Fonte: RICIARDI, Giovanni. Auto-retratos. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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Menotti del Picchia

"Tenho certeza de que, muito moço, comecei a fazer versos sem realizar, talvez, nenhuma poesia. A 'inspiração' não é mais do que um estado de espírito que nos solicita a criar alguma coisa: prosa ou verso. Pode, nestes transes, nascer poesia... Escrevo a lápis, sem hora certa, sob o impacto da inspiração".

Fonte: STEEN, Edla van. Viver & escrever 1. Porto Alegre: LP&M, 2008

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Mercedes Gómez-Blesa

"A criação sempre é fruto do esforço pessoal e ao mesmo tempo, é claro, desses momentos mágico que somente se dão em ocasiões especiais".

Fonte:www.conoceralautor.com/debate/index/OA==(05/11/2010)

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Moacyr Félix

"Volta e meia vêm à nossa mente determinadas frases, imagens, às vezes versos prontos. Você sente que é material para um poema, então tem que tomar nota imediatamente, porque aquelas imagens, etc. são como passarinho: não pegando na hora em que está no galho ou fazendo um movimento bruto, ele voa e você o perde para sempre. Existe, portanto, a presença desse pensamento emocional, que, de repente, vem dentro de você. É a origem do poema. Mas não existe 'inspiração' a partir do nada. Aquela frase que surge de repente, até quando você está fazendo a barba, aquela imagem é produto de um grande trabalho cultural anterior, de leituras, de reflexões, de vivências. Não tendo essas vivências, não vai acontecer o acaso criador".

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici. 1994.

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Moacyr Scliar

"A chamada inspiração ainda é um mistério. Sim, ao contrário do que pensavam os gregos, ela não vem das musas; mas de onde vem, então? Já se identificaram, no cérebro humano, numerosos centros responsáveis por tal ou qual atividade mental; mas o centro da 'inspiração', este ainda não foi encontrado e, provavelmente, não será tão cedo. O que, diga-se de passagem, não é de todo mau. Um pouco de mistério dá gosto à existência".

Fonte: BRITO, José Domingos de. Como escrevo?. São Paulo: Novera, 2007.

"Sofro - terrivelmente - de um excesso de inspiração. Poderia escrever um romance atrás do outro, ou vários a um tempo. o que às vezes me acontece. Felizmente não tenho tempo. Felizmente, porque isto me obriga a estabelecer prioridades".

Fonte: STEEN, Edla van. Viver & escrever. v.3, 2ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2008.

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Olga Savary

"Surgir, ele, o poema, ou o texto de ficção, pode surgir de qualquer estímulo exterior, de alguma coisa que ficou latente na memória, de tanta coisa. Tudo que nos rodeia, nos inspira. O resto é por conta da transpiração".

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Auto-retratos. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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Orígenes Lessa

"Não acredito em inspiração. Acredito em mão-de-obra. Com facilidade maior ou menor, mas mão-de-obra.

Fonte: MARETTI. Eduardo. Escritores: entrevistas da Revista Submarino. São Paulo: Limiar, 2000.

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Otacílio César Monteiro

"A relação é mais ou menos essa (10% de inspiração e 90% de transpiração). Escrever é um ato intelectual e não sentimental. É claro que se você está inspirado, isto é, realmente interessado num tema ou espiritualmente propenso a fazer algo de que gosta (e todo escritor gosta de escrever, assim como o futebolista gosta de jogar), a obra tende a ser mais bem elaborada. Mas escrever é muito mais trabalho que fruição, muito mais técnica que devaneio".

Fonte:http://recantodasletras.uol.com.br/entrevistas/1737828

(www.cancaopreferida.blogspot.com)

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Pablo Neruda

Não escrevo e leio muitas coisas no dia. Meu desejo seria escrever todo dia, porém, muitas vezes, a plenitude de um pensamento, de uma expressão, de algo que sai de uma maneira muito tumultuosa de minha própria inspiração, usando uma palavra antiquada, me deixa ou satisfeito ou exausto ou  vazio. Ademais gosto demasiado de viver para estar todo o dia sentado em um escritório. Isto é algo que não está de acordo comigo...".

Fonte: http://www.latinartmuseum.net/neruda.htm (consulta em 09/05/2005)

Extraído de: Pablo Neruda (1904-1973) Entrevista con Rita Guibert. México: Editorial Novaro, S.A., 1974.  

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Paulo Rangel

"Acredito na inspiração. Estamos cansados de saber que, às vezes, uma obra genial é feita de 10% de inspiração e 90% de transpiração; uns alegam que 98% de transpiração e 2% de inspiração. A inspiração, acho, tem muito a ver com as condições físicas do criador, que tem que estar descansado, não deve ter alimentado muito, nem deve estar com muita fome. A inspiração é produto, também, de uma longa meditação. Há algumas pessoas privilegiadas, como o nosso poeta Carlos Drummond de Andradr, que estão todo dia inspirados para escrever".

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici, 1994.

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Pedro Juan Gutiérrez

"A inspiração chega lentamente e vai crescendo, até que finalmente me sinto pronto para escrever"

Fonte: revista eletrônica Verbo 21 (www.verbo21.com.br), jan. 2006

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Pedro Nava

"Quero terminar prestando minha homenagem a gente jovem, porue são os nossos mestres, é realmente de onde vem a inspiração. Essa é a minha mensagem".

Fonte: Senecta, v.7, nº 3, 1984 - Grazia Chiariza

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Rachel de Queiroz

"A noção comum que se tem a respeito do escritor é que pessoas excepcionais, nascidas com o dom de escrever bem o belo, são preriodicamente visitadas por uma  espécie de iluminação das musas, ou do Espírito Santo, ou de um outro espírito propriamente dito - fenômeno a que se dá o nome de 'Inspiração'. O escritor fica sendo assim uma espécie de agente ou médium, que apenas capta as inspirações sobre ele descidas, manipulando-as no papel graças 'aquele' dom de nascimento que é a sua marca. Pode ser que existam esses privilegiados - mas os que conheço são diferentes. Não há nada de súbito, nem de claro, nem de fácil."

Fonte: O Estado de São Paulo, 22/03/2003

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Raimundo Carrero

"Acredite: não existe inspiração".

O 1º mandamento do decálogo de conselhos, publicado no nº 100 do jornal Rascunho, de Curitiba.

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Roniwalter Jatobá

"O meu processo antes é elaborado mentalmente, vou montando o personagem no dia-a-diae na hora em que começo a escrever já tenho a história toda elaoborada. No fundo, não tenho nenhum método apra escrever. Colocaria o termo 'inspiração' entre aspas. Na hora em que sento, trabalho. Penso numa história até durante dois anos. Pássaro selvagem levou quase três anos, mas o trabalho de escritura foi só um ano; os outros dois fiquei pesquisando, conversando com as pessoas. Ainda volto a São Miguel Paulista para conversar com as pessoas".

Fonte: RICCIARDI, Giovanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici, 1994.

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Rubem Braga

"Há um fato importante em minha carreira, Eu sempre escrevi para jornal. A partir do Correio do Sul, de Cachoeiro de Itapemieim, que era de meu irmão Armando e chegou a sair três vezes por semana. Lá publiquei alguns versos mas escrevia principalmente artigos terrivelmente sérios sobre política, lavoura, economia etc., e uma ou outra crônica ligeira. Em suma: eu escrevia o que dava na telha e, na verdade, nunca tive pudor de fazer versos. É que fazer bons poemas (em versos) exige um tipo de habilidade e de economia, de síntese e ao mesmo tempo, desclpem a palavra, inspiração. É muito mais fácil ir na cadência da prosa, quando acontece ela dizer alguma coisa poética, tanto melhor".

Fonte: LISPECTOR, Clarice. Entrevistas. R.Janeiro: Rocco, 2007.

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Sebastián Fiorilli

"Para molhar-me de verdade, a inspiração para mim é uma mentira".

Fonte: www.conoceralautor.com/debate/index/OA==(05/11/2010)

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Salvador Dali

"A inspiração só se conquista pela violência e o duro trabalhos de todos os dias".

Fonte: PERISSÉ, Gabriel. Ler, pensar e escrever. São Paulo: Arte & Cultura, 1996.

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Stravinski

"A maioria dos amantes de música acredita que o que põe em movimento a imaginação criadora de um compositor é um certo distúrbio emotivo geralmente designado pelo nome de inspiração. Não pretendo negar à inspiração o papel de destaque que lhe cabe no processo gerador que estamos estudando. Apenas, sustento que a inspiração não é de forma alguma condição prévia do ato criativo, e sim uma manifestação cronologicamente secundária".

Fonte: STRAVINSKY, Igor. Poética Musical em 6 lições. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1942.

Vikram Seth

"Eu acredito nessa noção pouco em moda da inspiração. Se não fosse assim, haveria seguido sendo economista e fazendo minha tese de de doutorado".

Fonte: Clarín (Bs.As), 20/07/1995

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Tânia Jamardo Failace

"Eu comecei escrevendo por, vamos dizer, inspiração; o texto saía quase pronto. Agora, com a vivência, o processo foi se tornando muito mais racional. Mas precisa algum ambiente, alguma motivação para escrever".

Fonte: RICCIADI, giovanni. Escrever 2. Bari: Ecumenica Editrici, 1994

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Victor Conde

"A inspiração para mim é a soma de muitos esforços distintos".

Fonte: www.conoceralautor.com/debate/index/OA==(05/11/2010)

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Waly Salomão

"E o poema, muitas vezes, surge como um fragmento de um resgate de um momento onírico, mas - repare bem - não acredito em inspiração. Inspiração não é banana, que plantando dá. O momento inicial muitas vezes é denegado. Ele só dá o início. Posso até reconhecer uma persistêrncia romântica, como digo num dos poemas do livro, mas - olhe bem - superpenetrado de uma ironia modernista".

Fonte:Jornal da Tarde, 04/04/1996 - Heitor Ferraz

 

W.H. Auden

"A Musa é uma moça alegre que não gosta de ser cortejada com brutalidade ou grosseria. E ela não gosta de devoção submissa – aí ela mente".

Fonte: Os escritores 2: As históricas entrevistas da Paris Review. São Paulo: Companhia das Letras, 1989

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William Faulkner

"Não sei nada a respeito da inspiração, porque não sei o que é - ouvi falar a respeito dela, mas nunca a vi."

Fonte: Os escritores: as históricas entrevistas da Paris Review. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

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Depoimentos dos autores

Adélia Prado

Alberto Moravia

Anderson Braga Horta

Antonio Olinto

Auguste Rodin

Augusto de Campos

Autran Dourado

Caetano Veloso

Carlos Drummond de Andrade

Camilo Castelo Branco

Carlos Fuentes

Carlos Nejar

Carmen Moreno

Daniel Piza

Davi Jiménez

        Decio Pignatari                                                                               Dias Gomes                      

Dinah Silveira de Queiroz 

E.M. Foster

Eliana de Freitas

Èrico Veríssimo

Esdras do Nascimento

Ferreira Gullar

Francisco Alvim

Frederick Forsyth

Gabriel Garcia Marquez

Gary Snyder

Georges Simenon

Gilberto Gil

Gilberto Mendonça Teles

Guimarães Rosa

Gustavo Martin Garzo

Haroldo de Campos

Henry Miller

Hilda Hilst

Ian McEwan

Isabel Allende

Isabel del Rio

Jean Cocteau

João Cabral de Melo Neto

Jorge Amado

Jorge Luiz Borges

José Saramago

Josué Montello

Juan Gelman

Juan Rulfo

Julio Cortázar

Libério Neves

Luis Fernando Veríssimo

Luiz Antonio de Assis Brasil

Marcos Rey

Mario Quintana

Menotti del Picchia

Mercedes Gómez-Blesa

Moacyr Félix  

Moacyr Scliar

Olga Savary

Orígenes Lessa

Octavio Paz

Otacílio César Monteiro

Pablo Neruda

Paulo Rangel

Pedro Juan Gutiérrez

Pedro Nava

Rachel de Queiroz

Raimundo Carrero

Roniwalter Jatobá

Rubem Braga

Salvador Dali

Sebastián Fiorilli

Stravinski

Victor Conde

Virkran Seth

W.H. Auden

William Faukner