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Por que escrevo?
Augusto Roa-Bastos

"Creio que a literatura, que o fato de eu dispor de uma certa capacidade para escrever (e por isso o faço) me dá a responsabilidade de despertar a consciência do mundo. Isto parece horrivelmente pretensioso, mas se você pensar friamente, verá que é a coisa mais simples do mundo; e, de acordo com a s minhas convicções, chega a ser uma obrigação escrever baseado nessas premissas".

Fonte: LORENZ, Gunter W. Diálogo com a América Latina. S.Paulo: E.P.U., 1973

"Por que é que eu escrevo? Pode ser por atavismo. Eu sei que não é uma boa resposta. Mas há uma resposta precisa para um sujeito tão impreciso? Todo ser queescreve tem, para esta loucura da escrita, razões públicas e privadas, e mesmo ignoradas por ele, que não lhe serão jamais conhecidas. E de um escriba para outro, essa gama de motivações atinge quase o infinito. Resta a escrita e nela a partícula da multidão que cada um é, mas com a multidão interior, parcelas de verdade, mas com a verdade dentro de cada um de nós. Como cada gota do mar com o mar dentro... Eu escrevo para tentar conhecer o outro, os outros, meus semelhantes, pois é apenas através deles que eu me conheço..."

Fonte: FOGEL, Jean-François; RONDEAU, Daniel. Pourquoi écrivez-vous?. Paris: Libération, 1985.

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